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Avaria de comboio entre Alvito e Vila Nova de Baronia, em Beja

No dia 3 de agosto, sexta-feira, os passageiros que se dirigiram a Beja de comboio viveram uma experiência verdadeiramente inaceitável e que exige clarificação urgente.

A peripécia iniciou-se em Lisboa, onde o comboio Intercidades com destino a Casa Branca saiu com quase meia hora de atraso (deveria ter saído às 17h02, mas partiu cerca das 17h30). Quando chegaram à estação da Casa Branca, próximo das 19h00, os passageiros que pretendiam seguir para Beja deveriam apanhar um comboio regional que assegura este percurso, no entanto, não havia comboio. Os passageiros tiveram que aguardar cerca de uma hora e vinte minutos pela chegada da composição, sem informação acerca do que se estava a passar, sem resguardo adequado para um dia em que se faziam sentir cerca de 40 graus. Quando finalmente o comboio chegou, os cerca de trinta passageiros depararam-se com temperaturas insuportáveis dentro do comboio, que não tinha ar condicionado.

Para culminar esta difícil jornada, cerca de vinte minutos depois de sair da estação da Casa Branca, o comboio avariou no meio da linha, entre Alvito e Vila Nova de Baronia, numa zona de difícil acesso.

Inicialmente, os passageiros foram impedidos de sair das carruagens; foi desligada a luz e a ventilação. As condições tornaram-se insuportáveis, tendo havido passageiros que começaram a sentir-se indispostos, até que as portas foram abertas. Após mais de uma hora parados na linha e sem indicações quanto à resolução da situação, alguns passageiros decidiram sair da carruagem, percorrendo três quilómetros a pé, pela linha de comboio, até à estação mais próxima (Vila Nova de Baronia), onde chegaram cerca das 23h00. Aqui, foram informados pelo chefe de estação de que cerca das 22h30 tinha saído de Lisboa um comboio para ir ao encontro deste, mas só chegaria cerca da meia noite e meia.

Sendo certo que a CP não desejaria que o comboio avariasse, não se compreende nem pode aceitar a inoperância e incapacidade demonstrada para resolver a situação. Trinta passageiros, entre os quais idosos e crianças, ficaram horas num comboio, fechados, num dia quentíssimo, sem água ou alimentos, sem informações ou esclarecimentos acerca do que se estava a passar. A resolução da situação deu-se com apoio e intervenção dos bombeiros e da GNR, que distribuíram comida e água e colaboraram no transporte para que as pessoas pudessem chegar ao seu destino final.

Esta situação é inaceitável, consequência da degradação do serviço prestado nesta linha pela CP bem como da má qualidade e manutenção do material circulante usado nesta linha, onde é necessário investimento urgente, como aliás consta da Petiçãorecentemente entregue na Assembleia da República e subscrita por mais de 26 mil pessoas.

O Bloco de Esquerda considera que é imperativo que a CP providencie esclarecimentos sobre o que se passou no dia 3 de agosto, não só com a avaria como também na falta de capacidade de acompanhar e esclarecer os passageiros. É também fundamental que haja investimento na linha do Alentejo, como esta situação deixa bem claro, pelo que urge saber quando este vai ocorrer.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, as seguintes perguntas:

1. O Governo tem conhecimento da situação exposta?

2. Está o Governo disponível para dar instruções estritas à CP para indemnizar todos os utentes da linha do Alentejo do dia 3 de agosto, devolvendo integralmente o valor dos bilhetes vendidos a cada utilizador e indemnizando todos os passageiros pelo péssimo serviço que ofereceu?

3. O que sucedeu no dia 3 de agosto, levando à avaria do comboio que assegurava a ligação entre Casa Branca e Beja? Por que motivo o apoio aos passageiros foi tão demorado e ineficaz por parte da CP?

4. Como se explica que os passageiros estivessem tanto tempo fechados no comboio, sem luz e sem ventilação, sem água e alimentos, e sem informação acerca do que se estava a passar bem como das medidas de resolução previstas?

5. Por que motivo foi enviado um comboio para apoio ao comboio avariado, tendo saído de Lisboa apenas às 22h30?

6. Por que motivo os passageiros tiveram que esperar mais de uma hora na Casa Branca pela chegada do comboio que os levaria até Beja?

7. Quando é que o Governo se compromete a repor o cumprimento dos horários que estão anunciados?

8. Que medidas urgentes e inadiáveis vão ser implementadas para requalificar a linha do Alentejo bem como o material circulante utilizado, de modo a que situações como esta nunca mais se repitam?

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