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Bloco quer acabar com financiamento público de touradas

O Bloco apresentou esta sexta-feira em conferência de imprensa duas iniciativas legislativas para impedir os apoios públicos aos espetáculos que inflijam sofrimento físico ou psíquico ou provoquem a morte de animais e para proibir a exibição de espetáculos tauromáquicos na televisão pública.

A deputada Catarina Martins afirmou durante a conferência de imprensa realizada na Assembleia da República que o Bloco reconhece que as touradas são um tema que não reúne "unanimidade em nenhum partido" mas sublinhou que "os partidos têm de fazer escolhas".

"Fazemos a escolha de considerar que hoje, face ao que são as evidências científicas, não se pode negar que há sofrimento dos animais nas touradas e, portanto, não há razão nenhuma para excluir as touradas do que é a prática legislativa portuguesa em relação aos espetáculos que infligem sofrimento animal", defendeu a deputada bloquista.

Catarina Martins lembrou que "Portugal tem financiado, seja através de dinheiros comunitários, seja através de orçamento das autarquias e do Orçamento do Estado, espetáculos tauromáquicos" e que, em 2009, o Estado gastou "na ordem de um milhão de euros" com eventos deste tipo, adiantando que já houve, inclusive, informações sobre fundos europeus "para a agricultura e pecuária" que acabaram por ser utilizados em gastos relacionados com a tauromaquia.

Além de apresentar uma proposta que visa impedir o apoio institucional à realização de espetáculos que inflijam sofrimento físico ou psíquico ou provoquem a morte de animais, o Bloco apresentou também um projeto de lei onde defende, a bem da "exigência ética" do Estado, a proibição da exibição de espetáculos tauromáquicos na televisão pública e a alteração da lei da televisão, de forma a designar estes espetáculos como suscetíveis de influírem negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes.

Catarina Martins lembrou que, à semelhança do que se pretende que aconteça com a RTP, a TVE, na vizinha Espanha, também já proibiu a transmissão de touradas.

"Porque é o serviço público de televisão e, naturalmente, quando falamos de exigências éticas, de padrões éticos de sociedade, as exigências para com o serviço público são naturalmente maiores, é isso também que define o serviço público", adiantou a dirigente bloquista.

Notícia publicada no portal www.esquerda.net.