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Catarina: “Foi a democracia que rejeitou o vosso programa”

Catarina Martins interveio no debate do programa de governo do PSD/CDS com críticas duras a medidas que, caso fossem aprovadas, agravariam o estado de “emergência social” em que Passos Coelho e Paulo Portas deixaram o país.
Catarina Martins no debate do programa de governo minoritário do PSD e CDS.

A porta-voz do Bloco fez a primeira intervenção do partido no debate do programa do governo minoritário da direita indigitado por Cavaco Silva. “Um debate estranho”, disse Catarina, sobre “um programa de governo que antes de o ser já não o era”.

“A mudança foi exigida nas urnas. Se hoje o PSD e CDS não têm deputados suficientes para fazer passar o programa, é porque os eleitores vos retiraram essa confiança nas eleições de 4 de outubro”, afirmou Catarina Martins.

“Não são jogadas políticas, é a democracia a funcionar. Foi a democracia que rejeitou este programa que a Assembleia da República vai agora rejeitar também”, prosseguiu a porta-voz do Bloco, respondendo à intervenção inicial de Passos Coelho.

Catarina Martins não deixou de criticar as prioridades elencadas no programa de governo da minoria de direita, como a do “desafio demográfico”, que aparece neste programa “depois do governo ter mandado emigrar tudo e todos”. Esta parte do programa, acrescentou Catarina, “é uma espécie de mixórdia de temáticas, como medidas fiscais que só aproveitam às famílias com maiores rendimentos, o ridículo programa VEM, o formas de pôr a trabalhar quem tem mais de 70 anos”.

Outra das prioridades inscritas no programa é a de“valorizar as pessoas”. Catarina destacou que a mesma direita “que chamou piegas aos portugueses diz agora que os quer valorizar”, embora as medidas concretas não digam como é que o Estado o iria fazer. “As escolas e universidades que arranjem financiamento sozinhas. É uma espécie de desafio à autoajuda, com umas alíneas no meio para aumentar financiamento aos colégios privados quando a escola pública continua a definhar”, resumiu.

Quanto à prioridade de “revigorar o Estado social”, Catarina Martins diz que ela se traduz neste programa da direita na “criação de um Estado paralelo com contratualização com os privados de tudo, desde as creches aos lares”. E acusou o PSD e o CDS de quererem um Estado que se demite das funções e “cria uma enorme rede clientelar de IPSS e privados na saúde. Fazem destas funções essenciais do Estado negócios privados para pôr a viver à conta do Estado entidades que não estão sujeitas ao escrutínio público”.

O afã privatizador deste governo, “depois de ter privatizado tudo, da energia aos aeroportos” e o histórico de Orçamentos inconstitucionais e de políticas que aumentaram a pobreza e fizeram recuar o PIB em décadas também foram sublinhadas pela porta-voz do Bloco, lembrando que a contrário do prometido, PSD e CDS “no primeiro mandato não responderam à emergência nacional, criaram sim a emergência social”.

No fim da intervenção, Catarina Martins perguntou a Passos Coelho se aquele era o programa que ia defender quando passar para a oposição. “É que em 2011 havia um Passos Coelho que recusava cortes de salários e aumentos de impostos. Será que vou ter o prazer de o reencontrar?”, questionou. Mas Passos optou por não responder.