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Deputados do Bloco exibiram cartazes em solidariedade com a Grécia

O Grupo Parlamentar do Bloco apresentou um voto de solidariedade com o povo grego e de repúdio às pressões que tentam condicionar o seu direito à escolha livre e democrática. Durante a votação, os bloquistas exibiram cartazes de solidariedade com a Grécia

O voto foi rejeitado com os votos contra de PSD, CDS e PS, as abstenções de 4 deputados socialistas, Elza Pais, Carlos Enes, Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves, e os votos favoráveis de Bloco, PCP e PEV.

Leia o voto de solidariedade com o povo grego apresentado pelos bloquistas

"A União Europeia esteve contra todos os referendos que pode. O referendo ao tratado de Maastricht, à moeda única, à constituição europeia. Essa aversão à vontade dos povos trouxe-nos a uma crise sem precedentes na Europa. Para a resolver, é preciso convocar a democracia. Foi o que fez Alexis Tsipras, Primeiro-Ministro da Grécia, numa decisão histórica para a Europa. Quando a austeridade mata e a democracia morre, a Grécia resiste e lança um apelo que é europeu e mundial, contra a ditadura dos mercados e o golpismo das instituições financeiras.

Está em curso uma dose nunca vista de manipulação e atemorização da população, não apenas na Grécia mas em toda a Europa, contra o governo grego. A chantagem da finança é hoje mais clara que nunca. O FMI, instituição não democrática e não europeia, assumiu um protagonismo inédito nas negociações europeias, impedindo, com a cumplicidade da Comissão Europeia e o apoio implícito da aliança entre Partido Popular Europeu e Partido Socialista Europeu, um acordo que responda às necessidades da população grega. O BCE fez escalar a chantagem contra o povo grego, afirmando que a liquidez à banca poderia ser cortada a qualquer momento e obrigando assim o Banco Nacional da Grécia a recomendar o encerramento dos bancos.

Perante a chantagem, o governo grego manteve a decisão democrática do referendo. Pela primeira vez, um governo europeu coloca a democracia no centro da decisão e rejeita o empobrecimento sem fim do seu povo. O caminho pode ter aspetos difíceis, certamente. Mas essas são as primeiras dores do nascimento de uma Europa nova, a partir do arco da solidariedade entre os povos. Só a solidariedade e a democracia podem responder à crise, resgatar a Europa da ditadura financeira e afirmar a dignidade dos povos.

A Assembleia da República, reunida em plenário, expressa a sua solidariedade com o Povo Grego e manifesta o seu repúdio às pressões indevidas que tentam condicionar a escolha livre e democrática do povo".