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Destruição de colheitas de tomates no Algarve

A forma desastrosa e autoritária com que a Alemanha geriu a suspeição sobre os mecanismos de propagação da bactéria E. coli, através da produção hortícola dos parceiros europeus, tem hoje custos inaceitáveis para os produtores portugueses e, em particular, para os produtores algarvios de tomate, que estimam deitar para o lixo 400 toneladas de tomate, por incapacidade de vender, doar ou armazenar a produção.

Segundo a Directora Operacional da Organização de Produtores Hortofrutícolas do Algarve, Tânia Kittler, serão feitas, até 30 de Junho, retiradas de cerca de 400 toneladas de tomate em contentores, sem que a região possua qualquer capacidade para o seu armazenamento. A contracção da procura e a arbitrariedade das imposições alemãs, com o aval das instituições europeias, são os factores responsáveis por este prejuízo inaceitável, agravado, agora, pelo facto de não existirem condições de armazenamento ajustadas para os danos causados.

A destruição de produtos alimentares, numa época de aumento da pobreza, decorrente das políticas de austeridade, é um facto a que nenhum Governo pode virar costas, nomeadamente quando os apelos ao consumo de produtos nacionais vão tendo ecos crescentes. Ora, neste caso, nem o Banco Alimentar, ao qual a OP tentou doar tomate, pôde aceitar tão oportuna dádiva, uma vez que a inviabilidade de armazenamento se coloca também para a instituição.

Há muitos produtores de tomate que perderam perto de 100% da sua produção e que se vêem confrontados com a indignidade de terem de recolher o fruto do seu trabalho em enorme azáfama, para corresponderem ao prazo estabelecido, e sabendo que o mesmo vai ser deitado ao lixo, o que é inaceitável para qualquer política de valorização da agricultura e dos agricultores nacionais.

Por outro, e segundo informação veiculada pela comunicação social, foi ainda colocada pela Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Algarve (DRAPALg) a possibilidade de armazenar a produção em contentores, indemnizando os agricultores através do pagamento de "33 cêntimos por cada quilo entregue". Ora, dado que os contentores não vedam com a devida qualidade e que parte da produção corre o risco de ser destruída, o valor indemnizatório em causa não é, naturalmente, aceite como justo pelos produtores.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território, as seguintes questões:

1. Que medidas urgentes se propõe o Governo tomar no sentido da rápida ultrapassagem desta situação, que produz um sinal negativo no arranque de um novo ciclo político, onde se esperaria que a agricultura nacional fosse colocada na ordem do dia?

2. Tem o Governo condições para garantir que serão providenciadas as condições de armazenamento necessárias e que será garantida aos agricultores uma indemnização justa pelas perdas irrecuperáveis?

3. No quadro europeu, que medidas se propõe o Governo assumir, no sentido de preservar os interesses dos produtores nacionais, dignificando a agricultura nacional e preservando-a da arbitrariedade e prepotência de que foi alvo no contexto da crise da bactéria em referência? 

AnexoTamanho
Pergunta ao Governo: Destruição de colheitas de tomates no Algarve.pdf81.75 KB