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Edifício do Cinema S. Geraldo, em Braga

O atual Cinema S. Geraldo, situado no Largo Carlos Amarante, na cidade de Braga, a poucos metros do Theatro-Circo, corresponde à adaptação em 1948-1950 do teatro original denominado Salão Recreativo Bracarense. Com projeto de 1916, foi construído em 1917 iniciando a atividade cultural no início da década seguinte. Foi edificado num dos lotes e em que foi desmembrado o antigo Convento dos Remédios, demolido no início do séc. XX.

O Cinema S. Geraldo, com mais de 800 lugares, inaugurado em 1 de junho de 1950 foi considerada uma sala “de luxo e qualidade” na época e esteve em atividade regular até ao início dos anos 90. A adaptação a cinema manteve o palco original e, além das sessões regulares de cinema, albergou iniciativas culturais diversas, os mais variados espetáculos, comícios políticos no pós 25 de abril, acolheu eventos de raiz católica e republicana, tornou-se uma referência cultural da cidade para várias gerações.

A sua relevância atual reside principalmente na forte marca identitária, no caráter histórico e cultural único, na centralidade da sua localização no contexto do Centro Histórico, inserido num potencial e desejável quarteirão urbano das artes, articulando o Cinema S. Geraldo com o Theatro Circo, o espaço do atual Centro Comercial Santa Cruz e o edifício do Pé Alado.

O Programa Estratégico de Reabilitação Urbana do Centro Histórico prevê a reconversão do S. Geraldo para auditório e reconhece a sua importância patrimonial para definir uma oferta qualificada no Centro Histórico de Braga.

Nas Grandes Opções do Plano para 2016 da Câmara Municipal de Bragaprevê-se a valorização do potencial patrimonial e histórico de vários edifícios/conjuntos, entre eles, o “Teatro São Geraldo/Edifício Pé Alado”. 

O espaço onde se encontra o Cinema S. Geraldo é, de acordo com declaração da ASPA - Associação para a Defesa, Estudo e Divulgação do Património Cultural e Natural, uma zona condicionada por vários motivos: i) aí existiu o Convento dos Remédios (fundado no séc. XVI e demolido no início do séc. XX); ii) na proximidade foram encontrados vestígios de Bracara Augusta; iii) encontra-se em áreas protegidas de monumentos classificados.

É essencial que este território de elevada sensibilidade histórica e cultural seja abordado com os mais elevados critérios urbanísticos. As opções políticas, sejam locais ou nacionais, não podem repetir erros graves e irreversíveis que levaram a demolições e feriram dramaticamente a cidade.

Porém, de forma contraditória com todo o debate público gerado em torno do S. Geraldo e com os instrumentos de planeamento referidos, foi tornada pública pela entidade proprietária do edifício uma solução que prevê a demolição do interior, mantendo apenas a fachada, para futura utilização divergente com o objetivo cultural que se mantém na perceção dos cidadãos e que Braga necessita para apoiar a criação artística, a produção e a programação autóctone.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Cultura, as seguintes perguntas:

1. Tem o Ministério da Cultura conhecimento desta situação que envolve decisões com elevado impacto patrimonial e cultural?

2. Está o Governo disponível para contribuir, junto da entidade proprietária, da Autarquia Local e demais entidades envolvidas, em ordem a que seja encontrada uma solução que garanta a preservação da identidade histórica do Edifício S. Geraldo e a sua inserção num projeto que privilegie a sua função cultural?

3. A Direção Geral do Património Cultural, na sua missão de assegurar a gestão, salvaguarda e valorização do património cultural do país, já apreciou e emitiu parecer relativamente à obra anunciada para o local onde se situa o Cinema S. Geraldo? 

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