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Fábrica da Triumph, em Sacavém

A Triumph International é uma das maiores produtoras mundiais de roupa interior. Esta empresa, fundada na Alemanha em 1886, está em Portugal desde 1961; aqui produzem-se produtos que se destinam à comercialização em Portugal e também a exportação.

Na fábrica da Triumph em Sacavém, no distrito de Lisboa, trabalham mais de 500 pessoas cujos postos de trabalho se encontram atualmente em risco. De facto, a empresa mãe, sedeada na Alemanha, informou em agosto os trabalhadores da sua intenção de vender a fábrica indicando, contudo, que os postos de trabalho não seriam postos em causa. Esta afirmação carece de credibilidade.

A CGTP manifestou-se já relativamente a esta situação, através do seu secretário-geral, tendo referido que "estamos a falar de uma empresa que sempre teve lucros em Portugal e mão-de-obra qualificada. Não há razões para fechar. A fábrica tem condições para trabalhar e produzir". Arménio Carlos referiu ainda que considera que a empresa está a agir de "má-fé" com os trabalhadores, uma vez que os anda a "iludir", visto que a intenção será a de “fechar a empresa. Querem continuar a assegurar as vendas mas querem destruir a produção. É mais fácil e lucrativo deslocalizarem-se para a Ásia".

Em comunicado, a administração da empresa afirmou que está a analisar a “alienação da sua unidade de produção em Sacavém para poder garantir a retenção do maior número possível de trabalhadores" acrescentando que “a empresa tem por objetivo a venda da unidade de produção para evitar ou limitar redundâncias. Os colaboradores da unidade de produção de Sacavém recebem informações atualizadas e regulares sobre o decorrer deste processo".

O Bloco de Esquerda considera que esta situação deve ser proximamente acompanhada; estão em causa os postos de trabalho de centenas de pessoas. Este é o momento de garantir o devido acompanhamento por parte da ACT, assegurar que a empresa não reteve os descontos dos trabalhadores para a Segurança Social e/ou para as finanças bem como para aferir quais os “incentivos à contratação” a que esta empresa recorreu.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, as seguintes perguntas:

1. A fábrica da Triumph, em Sacavém tem cumprido o dever de entrega dos descontos dos seus trabalhadores à Segurança Social e às Finanças?

2. Perante a situação atual vivida na Triumph, a Autoridade para as Condições do Trabalho vai desencadear alguma ação inspetiva a esta empresa?

3. Nos últimos cinco anos, a Autoridade para as Condições de Trabalho desenvolveu ações inspetivas na Triumph? Em caso de resposta afirmativa, quais os resultados dessas ações?

4. A Triumph recorreu a “medidas de apoio à contratação” (Estímulo Emprego, Incentivo Emprego, Igualdade de Género, Isenções e reduções) em 2013, 2014 e até ao momento em 2015? Quantos trabalhadores foram abrangidos por estas medidas? Destes, quantos se encontram atualmente em funções na Triumph?

5. A Triumph recorreu a estágios (Estágios Emprego, Reativar, Emprego Jovem Ativo) em 2013, 2014 e até ao momento em 2015? Quantos trabalhadores foram abrangidos por estas medidas? Destes, quantos trabalhadores ficaram a exercer funções na Triumph?

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