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Falecimento de utente no Hospital Amadora Sintra após aguardar mais de seis horas na sala de espera para ser atendida

No dia 25 de novembro de 2013, faleceu no Hospital Amadora Sintra uma utente após mais de seis horas a aguardar atendimento na sala de espera. Os médicos informaram ter-se tratado de uma morte por enfarte do miocárdio, que poderia ter sido evitável caso tivesse sido atempadamente atendida. A utente tinha 67 anos e não tinha antecedentes cardíacos.

Durante a tarde, esta senhora sentiu fortes dores no tórax, que se foram agravando. A família contactou o 112 que procedeu ao envio de uma ambulância do INEM que transportou a senhora de Massamá para o Hospital Professor Doutor Fernando da Fonseca, vulgarmente conhecido como Hospital Amadora-Sintra.

Uma vez no hospital, esta senhora não foi atendida de imediato; na triagem, foi-lhe atribuída uma pulseira amarela ou seja, foi considerado um caso urgente mas a utente aguardou das 16h47 até 23h00 sem atendimento.

Por volta das 23h00, a utente começou a ser atendida: foi auscultada e foi-lhe colocado oxigénio, mas, quando ia ser levada para efetuar um raio-x entrou em paragem cardiorrespiratória tendo sido levada para a reanimação; tentaram reanimá-la durante cerca de 45 minutos mas sem sucesso. Em resumo, a utente esteve mais de seis horas a aguardar atendimento na sala de espera, vindo a falecer quando começou a ser atendida.

O Bloco de Esquerda considera que esta situação é absolutamente inaceitável e que tem que ser averiguada até às últimas consequências. O falecimento de uma utente num hospital público após mais de seis horas a aguardar para ser atendida é incompreensível e o Governo não pode desresponsabilizar-se desta ocorrência, uma vez que são da sua responsabilidade as políticas de austeridade que têm dificultado o funcionamento dos serviços e impedido um atendimento eficaz e no tempo certo. Situações destas vão-se verificando nas urgências dos hospitais do Serviço Nacional de Saúde com maior frequência e sem que haja da parte do Ministério da Saúde qualquer atitude ou tomada de medidas que evitem este tipo de ocorrências.

É fundamental que a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) proceda à realização de um inquérito que apure responsabilidades e que sejam tomadas medidas que garantam que situações como esta não voltam nunca mais a acontecer.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:

1. O Governo tem conhecimento da situação exposta?

2. A Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) vai realizar um inquérito às condições em que se verificou este falecimento no Hospital Amadora Sinta?

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