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Interdição de pesca de sardinha tem criado problemas “muito graves” aos pescadores

A deputada Helena Pinto destacou esta sexta-feira os problemas "muito graves" que a paragem na pesca da sardinha tem criado no rendimento das famílias dos pescadores.
Foto de Tiago Petinga/Lusa

Helena Pinto abordou o tema após uma reunião, na sede da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, com associações de produtores de peixe do norte e centro, durante a qual conheceu a situação de quem se dedica ao setor.

"É preciso dar a voz a estas pessoas e perceber que uma paragem de seis meses na pesca de cerco, devido a um prolongado defeso, causa problemas muito graves", disse a deputada.

"A ministra Assunção Cristas sugeriu que pescassem cavala e carapau, mas o preço destes peixes é muitíssimo baixo e afeta diretamente o rendimento das famílias", contrapôs.

Dizendo que "a quota não é satisfatória” e que a limitação à atividade “não resolve problema nenhum", a deputada revelou que vai questionar a ministra da Agricultura e Pescas sobre a matéria.

Segundo o Plano de Gestão da Sardinha (2012-2015) está definido um limite de captura de sardinha pela frota nacional licenciada para o cerco, de 13.500 toneladas para o ano de 2014 e não está previsto nenhum aumento para 2015.

A proibição da pesca da sardinha será levantada em março, altura em que os pescadores vão voltar ao mar, mas António Lé, da organização de produtores de peixe Centro Litoral, revelou que "não é a altura em que os pescadores querem voltar ao mar".

"A única coisa que os pescadores querem e as associações exigem é a gestão do recurso com dignidade", acrescentou o responsável por aquela associação.

"Se não houver sardinha, nós não a queremos pescar, mas havendo sardinha e os estudos mostrarem que se pode pescar na quantidade que é necessária, nós exigimos que isso seja feito".

António Lé defendeu ainda que a gestão da quota não está a ser bem gerida, apontando: "Da maneira que se está a gerir a quota fica, de certeza, esgotada este ano".

"Nós só queremos a reavaliação do ‘stock’ e que nos digam o que realmente lá está, para depois tirarem as conclusões todas no sentido de podermos ter um futuro digno ", observou.