Share |

Praxe violenta na Covilhã

A edição impressa desta segunda-feira, 1 de outubro de 2018, do Correio da Manhã revela a existência de um “grupo secreto” ligado à praxe académica, que operará há vários anos na Universidade da Beira Interior, no concelho da Covilhã, distrito de Castelo Branco.

Segundo o jornal apurou, esta organização clandestina que, alegadamente, se designa a si mesma de “seita” e contará já com uma década de existência, tem por hábito sequestrar alunos à noite e transportá-los para a Serra da Estrela, onde são despidos, interrogados e agredidos com recurso a pás. Posteriormente, os novos alunos serão ainda incumbidos de várias “missões”, para que possam vir a integrar a “seita”. Entre elas, serão incentivados a “arranjar fotografias de colegas nuas que depois são colocados num grupo privado numa rede social”, na internet.

Todo este processo decorrerá debaixo de um apertado “pacto de silêncio”, estando, segundo a informação vinda a público, os alunos que pretendem denunciar estes grotescos episódios a ser ameaçados por “fundadores da seita”.

Um dos alunos agredidos apresentou recentemente uma participação à Universidade da Beira Interior o que levou esta, segundo um comunicado datado de hoje, a apresentar uma queixa ao Ministério Público.

Este é mais um caso elucidativado do intervalo ao normal funcionamento do Estado de direito democrático e das instituições do Ensino Superior que a praxe académica constitui. Particularmente, se for tido em conta que estas práticas abusivas, passíveis de constituírem vários crimes, se perpetuaram impunemente, ao longo de uma década, numa instituição pública.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), as seguintes perguntas:

1. Tinha o Ministério da Ciência e do Ensino Superior conhecimento desta situação?

2. Tendo agora o MCTES conhecimento da situação descrita que diligência tomou ou pretende tomar?

3. Está o Ministério disponível para intervir de forma clara e consequente sobre a realização de praxes no seio das instituições de ensino superior, assumindo uma posição em defesa da dignidade dos e das estudantes e condenando todo o ato de violência e humilhação que esta atividade promove?

4. Após dois anos passados do lançamento do programa governamental “EXARP”, que balanço faz o MCTES sobre os seus efeitos?

5. Considerando que os casos de violência na praxe se mantêm e, alguns casos, se agudizam, tenciona o MCTES implementar outras medidas para combater a violência praxística?

AnexoTamanho
Pergunta: Praxe violenta na Covilhã417.31 KB