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Rastreio ao cancro da mama, efetuado pela LPCC, em risco de continuidade

A Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), organização não-governamental com décadas de existência, tem desempenhado um reconhecido e relevante papel na prevenção e diagnóstico do cancro. No que concerne ao cancro da mama, a LPCC desenvolve, desde 1986, um programa de rastreio, que começou por ser implementado na região centro do país, e, atualmente abrange também os distritos de Beja, Évora, Portalegre e Santarém e concelhos dos distritos de Bragança e Viana do Castelo e Lisboa.

O rastreio do cancro da mama é feito com recurso a unidades fixas e móveis, que, de dois em dois anos, se deslocam aos concelhos, enviando convites para a realização de uma mamografia às mulheres, entre os 45 e os 69 anos, inscritas nos Centros de Saúde. O exame é efetuado por dois radiologistas e, caso se revele pertinente, as mulheres são encaminhadas para unidades hospitalares para diagnóstico final e tratamento. Desde o início do programa, a LPCC efetuou mais de 1.600.000 mamografias de rastreio, tendo diagnosticado cerca de 2.200 cancros.

A relevância do rastreio e diagnóstico atempado do cancro da mama é inquestionável e revela-se fundamental para o seu tratamento com mais elevadas taxas de sucesso.

No entanto, é do conhecimento do Bloco de Esquerda que o rastreio do cancro da mama na zona centro do país, efetuado pela LPCC, está em risco de continuidade uma vez que as dívidas do Ministério da Saúde para com a LPCC ultrapassam um milhão de euros. Este montante em dívida impossibilitará a LPCC de prosseguir os rastreios, uma vez que estes absorvem cerca de 35% do seu orçamento e, sem o financiamento do Ministério da Saúde, não têm meios próprios para a continuidade do programa.

O Bloco de Esquerda considera o rastreio do cancro da mama essencial para o tratamento atempado e menos invasivo das mulheres diagnosticadas e vê com inquietação que o programa da LPCC possa ser interrompido.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes perguntas:

1. Tem o Governo conhecimento da situação exposta?

2. Vai o Governo assegurar a continuidade do rastreio ao cancro da mama efetuado pela LPCC?

3. Quando pretende o Governo pagar as dívidas que tem para com a LPCC?

AnexoTamanho
Pergunta ao Governo: Rastreio ao cancro da mama, efetuado pela LPCC, em risco de continuidade.pdf264.46 KB