Share |

Audição da Administração da Fundação de Serralves, dos representantes dos trabalhadores precários e da Autoridade para as Condições de Trabalho

Logo no início das medidas de distanciamento social, em março, a Fundação de Serralves descartou trabalhadores a recibos-verdes do serviço educativo da instituição, bem como todos os técnicos externos responsáveis pela montagem das exposições, sem qualquer aviso prévio no próprio dia em que a instituição suspendeu atividade.

Segundo comunicado público, os trabalhadores que denunciaram esta situação em março estão agora a sofrer retaliações, com o Conselho de Administração da Fundação a afastar estes trabalhadores das atividades e exposições na reabertura de Serralves no processo de desconfinamento. Mais grave, sabemos agora também que a administração estará a entrevistar novos educadores para as mesmas funções destes trabalhadores.

Em comunicado público, explicam que o “trabalho da equipa foi profundamente alterado”, na preparação da exposição da Yoko Ono, recentemente inaugurada. “Em todas as exposições anteriores toda a equipa era chamada a estar presente em reuniões de formação e preparação”, desta vez “a Coordenação contactou apenas 4 dos 25 educadores, informando apenas estes que seriam os únicos educadores a participar na reunião e a realizar atividades nesta exposição até ao seu encerramento”.

Questionam também “a pertinência destes novos recrutamentos”, uma vez que, “para além de terem sido integrados muito recentemente na equipa um grupo de 7 novos educadores (antes da pandemia), [...] também esta situação vai contra o que a FS previamente referiu de não reunir condições para chamar os seus trabalhadores, deixando muitos de nós durante vários meses em suspenso, sem qualquer perspectiva de quando ou se voltaríamos sequer a poder desenvolver o nosso trabalho como arte-educadores no Museu de Serralves”.

À semelhança do que aconteceu na Casa da Música, o Conselho de Administração comporta-se de forma autoritária com os seus trabalhadores, com violações grosseiras e intoleráveis da lei do trabalho, e ofensas graves aos direitos laborais mas também de direitos constitucionais básicos.

Assim, ao abrigo das disposições regimentais e constitucionais, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda requer, com caráter de urgência, a audição da Administração da Fundação de Serralves, dos representantes dos trabalhadores precários e da Autoridade para as Condições de Trabalho.
 

AnexoTamanho
requerimento_ccc_audicao_serralves.pdf169.96 KB