Share |

CP – Contratação de prestadores de serviços quando há capacidade para exercer as funções internamente

O Bloco de Esquerda tomou conhecimento da decisão da CP de enviar para Espanha material ferroviário que pode ser reparado no Entroncamento. Esta denúncia é do sindicato dos trabalhadores ferroviários da CGTP, que aponta que, no Entroncamento, na oficina de rodados e bogies, há falta de trabalho, enquanto a empresa acumula rodados “em lista de espera” por falta de material. O sindicato denuncia que nem há sequer encomenda dos materiais necessários por parte da logística.

O sindicato alerta para o tempo de espera dos contratos, visto que os Rodados e os Bogies que foram enviados para Espanha, a fim de serem reparados, chegaram apenas no inicio do mês, após quase um ano de espera.

A contratação de prestadores de serviços, quando a empresa tem capacidade para realizar o trabalho, é, segundo o sindicato, uma situação constante na empresa. Alerta ainda para que futuras necessidades de reparação sejam supridas pelas oficinas da CP, designamente os Bogies de UTE 2240. Sobre este equipamento, o sindicato espera que “não sigam o mesmo caminho” e que apresentou essa preocupação ao presidente do Conselho de Gerência da CP.

Este grupo parlamentar defende o investimento na ferrovia a nível nacional, daí que, naturalmente, devem ser criadas as condições para o desempenho das atividades de reparação, recuperação e construção de comboios, exigência que este sindicato há muito defende. Nesse sentido, importa também destacar a necessidade para que o investimento público neste sector seja robusto e de continuidade, de modo a permitir operar com os equipamentos e ferramenas adequadas, com melhores infraestruturas e melhores condições laborais ao nível da formação e dos salários, bem como através do reforço das equipas com novas contratações.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministério das Infraestruturas e da Habitação, as seguintes perguntas:

1. Tem o Governo conhecimento desta situação?

2. Considerando que os Rodados e os Bogies que foram enviados para Espanha, a fim de serem reparados, chegaram apenas no inicio do mês, após quase um ano de espera, o contrato celebrado entre a CP e a empresa Espanhola previa um tempo de espera tão extenso?

3. Sabendo que na oficina da CP, no Entroncamento, se tem verificado uma acentuada quebra de trabalho, enquanto que a lista de espera de Rodados aumenta por falta de material, visto que nem encomenda desses materiais existe por parte da logística, porque não se equaciona sejam os trabalhadores da CP a realizar esse mesmo trabalho que foi contratado a uma empresa espanhola?

4. Que medidas entende o Governo tomar para evitar novas contratações a empresa estrangeiras de serviços de reparação, recuperação e construção de comboios, quando há capacidade para exercer as funções internamente?
 

AnexoTamanho
pergunta_transporte_ferroviario_15062020_ls_mih.vc_.pdf229.21 KB