Share |

Falsos recibos verdes no Coro Gulbenkian

Segundo é possível consultar publicamente, o Coro Gulbenkian “conta presentemente com uma formação sinfónica de cerca de cem cantores, podendo atuar também em grupos vocais mais reduzidos. Assim, apresenta-se tanto como grupo a cappella, interpretando a polifonia dos séculos XVI e XVII, como em colaboração com a Orquestra Gulbenkian ou com outros agrupamentos para a interpretação das grandes obras do repertório clássico, romântico ou contemporâneo. Na música do século XX tem apresentado, frequentemente em estreia absoluta, inúmeras obras contemporâneas de compositores portugueses e estrangeiros. Tem sido igualmente convidado pelas mais prestigiadas orquestras mundiais, entre as quais a Philharmonia Orchestra de Londres, a Freiburg Barockorchester, a Orquestra do Século XVIII, a Filarmónica de Berlim, a Sinfónica de Baden Baden, a Sinfónica de Viena, a Orquestra do Concertgebouw de Amesterdão, a Orquestra Nacional de Lyon, a Orquestra de Paris, ou a Orquestra Juvenil Gustav Mahler. Foi dirigido por grandes figuras como Claudio Abbado, Colin Davis, Frans Brüggen, Franz Welser Möst, Gerd Albrecht, Gustavo Dudamel, Jonathan Nott, Michael Gielen, Michael Tilson Thomas, Rafael Frübeck de Burgos, René Jacobs, Theodor Guschlbauer, ou Esa-Pekka Salonen, entre muitos outros”.

Fundado em 1964, “o Coro Gulbenkian tem participado em importantes festivais internacionais, tais como: Festival Eurotop (Amesterdão), Festival Veneto (Pádua e Verona), City of London Festival, Hong Kong Arts Festival, Festival Internacional de Música de Macau, ou Festival d’Aix-en-Provence. Em 2015 participou, em Paris, no concerto comemorativo do Centenário do Genocídio Arménio, com a World Armenian Orchestra dirigida por Alain Altinoglu. A discografia do Coro Gulbenkian está representada nas editoras Philips, Archiv / Deutsche Grammophon, Erato, Cascavelle, Musifrance, FNAC Music e Aria Music, tendo ao longo dos anos registado um repertório diversificado, com particular incidência na música portuguesa dos séculos XVI a XX. Algumas destas gravações receberam prestigiados prémios internacionais. Desde 1969, Michel Corboz é o Maestro Titular do Coro Gulbenkian. A função de Maestro Adjunto é desempenhada pelo maestro Jorge Matta”.
O que a apresentação oficial do Coro não informa é que o Coro é composto quase na totalidade por falsos recibos verdes. Considerando a regularidade e previsibilidade da programação e do trabalho desenvolvido pelo Coro, esta situação é altamente irregular e atentatória da dignidade laboral e da lei do trabalho. A Autoridade para as Condições do Trabalho deve proceder a todas as diligências necessárias para corrigir esta situação.

O facto de ser precisamente a Fundação Calouste Gulbenkian a colocar trabalhadores do Coro numa situação de falso recibo verde tem particular importância pela influência da instituição, porque normaliza a precariedade em todo o setor cultural.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, as seguintes perguntas:

1. Tem o Governo conhecimento desta situação?
2. A Autoridade das Condições do Trabalho realizou atividade inspetiva na Fundação Calouste Gulbenkian?
3. Que medidas vai o Ministério tomar para garantir os direitos dos trabalhadores, corrigindo esta situação de falso recibo verde?

  

AnexoTamanho
perg_mtsss_act_coro_gulbenkian.pdf166.51 KB