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Supressões da CP – Comboios de Portugal na Linha de Sintra

Têm sido, ao longo dos últimos anos, recorrentes os relatos preocupantes acerca de atrasos, supressões, sobrelotação e falta de higiene e condições de refrigeração dos comboios da CP que servem a linha de Sintra. Quem utiliza diariamente este meio de transporte refere que não estão asseguradas condições mínimas de salubridade e conforto, sobretudo nas horas de ponta, mas também fora delas, no período noturno ou ao fim de semana.
Sabemos que estes problemas não são de hoje, mas têm-se intensificado em certos ramais e percursos.

A maioria dos comboios com destino e partido no Rossio têm apenas metade das carruagens (os comboios curtos de Meleças-rossio), uma vez que os comboios de oito carruagens (Sintra-Rossio) passam apenas duas vezes por hora na hora de ponta e uma vez por hora fora deste período. Acontece, portanto, que os comboios estão sempre cheios e quem os utiliza tem de viajar de pé e sem espaço. Por exemplo, é comum que o comboio que parte de Sintra às 07:56 com destino a Alverca, que deveria ser uma composição de oito carruagens, circule com apenas quatro carruagens que, apesar de ser cabine dupla, possui menor capacidade e tem menos portas, diferença que em horário de ponta a torna crítica.

Outro exemplo dá conta de que, nas últimas semanas, todos os dias, o comboio das 07h55, em Rio de Mouro, tem sido suprimido. Sendo o anterior às 07h49, e o seguinte, às 08h05, os utentes estão cerca de 20 minutos à espera, quando conseguem entrar no comboio seguinte, o que nem sempre acontece, o que causa transtornos óbvios para quem utiliza o comboio neste horário para se deslocar para o trabalho ou escola e faz com que o comboio esteja sobrelotado.

Por outro lado, há uma incompreensão grande por parte dos utentes sobre que razões levam a que no final do mês de outubro ainda se mantenham horários de verão, considerando que o número de pessoas que frequentam é muito superior neste momento.

A situação está a chegar a tal ponto que no dia 29 de outubro do presente ano um utente, em modo de protesto contra o estado permanente de sobrelotação e atrasos, bloqueou o fecho de portas, impedindo que o comboio seguisse. Várias pessoas se juntaram no local, confirmando aos meios de comunicação que o sentimento de cansaço com a situação diária dos comboios na Linha de Sintra é insustentável.

Estas e outras situações provam que há já demasiado tempo que a CP não tem o material circulante necessário para manter um número de comboios adequado à intensidade do tráfego e de forma a prestar um serviço com regularidade, eficiência e conforto.

Viajar nas condições atuais é um suplício que faz com que as pessoas cheguem todos os dias aos seus locais de trabalho já num estado de cansaço e stress extremos, colocando ainda em causa a sua segurança e integridade. Por outro lado, de um ponto de vista global, a prestação de um mau serviço por parte da CP desincentiva, também, o uso de transportes públicos, fomentando o uso do transporte particular e contribuiu, assim, para o agravamento de diversos problemas ambientais e de urbanidade. Numa altura em que o PART continua a mostrar que foi uma decisão essencial para ajudar as famílias a terem possibilidade de acederem aos passes de transportes públicos, a superação das dificuldades encontradas deve ser feita através do reforço urgente do investimento público nos transportes. Face à gravidade e emergência da situação, este investimento torna-se uma questão de garantia da dignidade de quem utiliza este transporte público.

Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio dirigir ao Governo, através do Ministro das Infraestruturas e da Habitação, as seguintes perguntas:

1. Tem o Ministério conhecimento da situação diária da Linha de Sintra descrita acima?

2. Como avalia o governo a situação da sobrelotação dos comboios que servem a Linha de Sintra? Porque se mantém o horário de verão, quando já estamos no final do mês de outubro? Pretende o governo proceder à alteração para horário correto?

3. Que medidas tenciona o governo tomar de modo a garantir o cumprimento das suas obrigações quanto à oferta de um serviço público de transportes de qualidade na Linha de Sintra, seja do ponto de vista dos horários como da sobrelotação?

4. Considerando a continuidade no tempo desta grave situação, para quando considera o governo aprovar um plano de modernização e de renovação da frota dos comboios suburbanos na Área Metropolitana de Lisboa que permita ultrapassar as dificuldades de oferta do serviço público de transporte ferroviário?
 

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